Virada Educação – Evento busca conectar escola e comunidade para potencializar aprendizagens

“E se a escola se aproximasse da comunidade local para aproveitar as conexões criativas que podem ser feitas?” Com esse questionamento começa o vídeo de apresentação da Virada Educação, evento que será realizado neste sábado, 17 de maio, em diversos espaços da região da Praça Roosevelt, localizada no centro da cidade de São Paulo. A iniciativa, organizada pelo Movimento Entusiasmo, busca envolver, mobilizar e criar um campo propício para a construção coletiva de ensinos e aprendizagens.

Ao longo do dia, educadores, especialistas, professores e alunos participam das mais de 60 atividades que serão promovidas abertamente para toda a comunidade. A programação do evento foi criada de forma coletiva e inclui diálogos, trilhas, oficinas, exibições e intervenções pelas ruas, escolas e outros espaços públicos e privados ao redor da Praça Roosevelt. O movimento busca potencializar uma rede local capaz de se articular com mais proximidade e maior força de transformação e, com isso, criar uma cidade mais educadora, que promova a educação além do espaço físico e da carga horária da escola.

Um dos principais objetivos da ação é provocar um olhar diferente para a Educação, um ponto de vista a partir do qual seja possível causar uma transformação na área, explica André Gravatá, que se identifica como co-entusiasta do Movimento Entusiasmo e da Virada Educação. “Já existem várias pessoas com suas paixões, suas vontades e fazendo algo para que a mudança aconteça. Pretendemos mostrar que é preciso criar uma rede de pessoas que sustentem a transformação da Educação e é importante que essa rede esteja espalhada pelo território, não apenas na escola. É preciso abrir a escola para a comunidade e criar um fluxo para que as crianças e jovens sejam acolhidos nos diversos espaços ao redor da escola”, diz Gravatá.

Já Natália Menhem, também co-entusiasta do Movimento Entusiasmo e da Virada Educação, reforça que o evento busca aumentar e cultivar as comunidades de aprendizagem que já existem. “Criamos uma forma de aproximação com as comunidades de aprendizagem e, ao longo do ano, iremos ter cinco pontos de entusiasmo. O primeiro deles é a Virada Educação, com ela vamos conhecer diversas manifestações e, ao mesmo tempo, registrar os relatos das experiências, que serão transformados em materiais para serem compartilhados com as escolas que colaboram e com outras áreas e cidades que queiram reproduzir a ideia e valorizar as abundâncias locais no âmbito de uma comunidade”, destaca Menhem.

A ideia do movimento é se aproximar do centro de São Paulo, por meio da Virada Educação e, a partir disso, tecer relações entre escolas públicas, privadas e os espaços disponíveis na região. “Essa rede pode começar a se articular como uma comunidade educativa, onde as pessoas troquem suas experiências de forma ativa, formem outra construção social. Por exemplo, hoje, a escola é um espaço ao qual as pessoas vão por um horário determinado, permanecem nesse espaço e se espera que saiam dela tendo aprendido certos conhecimentos básicos. Tentamos provocar uma construção social diferente, na qual o território onde as pessoas vivem é o local para aprender, seja na escola, na praça, no supermercado ou com as pessoas na rua”, enfatiza Gravatá.

Menhem complementa explicando que o evento trabalha com o conceito de cidades educadoras, segundo o qual é possível aprender em todos os lugares. “Nós temos experiências de aprendizagens constantes e, muitas vezes, isso acontece fora do ambiente escolar. Mas destacamos que o direito à educação formal é essencial e não é algo que possa ser negligenciado, até porque ele ainda não atende a todos no Brasil. O movimento é a favor da escola e, mais ainda, é a favor da Educação como um todo, que acontece na escola e fora dela”, salienta. 

Ao longo do processo de formação do evento, professores e alunos foram instigados a pensar no que eles gostariam de ensinar e aprender com atividades que vão além do currículo básico. Segundo Gravatá, esse processo já desloca o fluxo que, muitas vezes, é automático nas escolas. “O Edgar Morin, pensador que fala muito sobre o contemporâneo e a situação do mundo hoje, diz que a mudança é apenas um desvio. Entendemos que mudar é apenas desviar de um caminho e nós tentamos provocar esse desvio. Entrar na escola, ter esse momento com os estudantes, educadores e construir algo junto com eles já é parte da mudança. O dia 17 de maio será uma continuidade dessa vontade”.

O lema do evento é “Educação não é encher baldes. É acender fogueiras”. De acordo com Gravatá, este é um ponto fundamental para o Movimento Entusiasmo. “Queremos acender uma centelha para que as pessoas possam colocar mais entusiasmo e acender essa fogueira. Isso é importante porque, de forma geral, a educação atual enche baldes, é uma educação bancária, como dizia Paulo Freire [em A Pedagogia do Oprimido], uma educação que deposita conteúdo no aluno como se ele fosse um balde. Nossa proposta é uma educação de acendimento de fogueiras, onde a paixão do aluno é resgatada e colocada em prática”, enfatiza.

Agenda – Virada Educação
Data: 17 de maio de 2014.
Horário: das 9h às 17h.
Local: região da Praça Roosevelt, São Paulo (SP).
Programação completa: http://goo.gl/wb9juW

Por Pamella Indaiá / Blog Educação

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