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Entenda como a educação brasileira está evoluindo, de acordo com os dados do relatório “De Olho nas Metas” do movimento Todos Pela Educação.

Para atingir um padrão de qualidade na educação que o Brasil precisa, o movimento Todos Pela Educação elencou cinco metas prioritárias para serem alcançadas até o ano de 2022. As metas são simples e focadas em resultados mensuráveis. Regularmente, o movimento publica o relatório “De Olho nas Metas”, com os avanços e desafios de cada uma das metas. Confira abaixo o que o documento apresentou de evolução no ano de 2010:

Meta 1 – Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola

Esta meta define que até 2022 mais de 98% das crianças e jovens de 4 a 17 anos estejam matriculados e frequentando a escola. É um desafio que diz respeito à universalização do atendimento escolar no Brasil.

Observando os últimos dados do relatório “De Olhos nas Metas”, fica claro que na faixa de 6 aos 14 anos de idade o Brasil vai bem. Atingimos um índice de 97,7% de atendimento escolar para esta faixa. O desafio, portanto, está em universalizar o atendimento na educação infantil e no ensino médio, onde ainda não atingimos nem 83%.

Meta 2 – Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos

O objetivo neste caso é que, até 2022, todas as crianças brasileiras de 8 anos de idade tenham habilidades básicas de leitura e escrita até o final da 2ª série do Ensino Fundamental. O grande dificultador de monitoramento desta meta é que, no Brasil, ainda não há um indicador nacional de larga escala que permita medir o aprendizado da escrita e da leitura no ensino fundamental. Enquanto não se tem uma ferramenta eficiente de avaliação para esta meta, o relatório utilizou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

O resultado da avaliação dessa meta é preocupante. Segundo o estudo, crianças com 9 ou 10 anos muitas vezes nem concluíram a 2ª série do ensino fundamental, ano em que a criança já deve estar plenamente alfabetizada. A média brasileira de crianças com 9 anos que ainda não concluíram a 2ª série é de 58,1%. A situação é ainda mais alarmante quando olhamos regiões específicas. No estado de Alagoas, por exemplo, o índice é de apenas 41%.

Meta 3 – Todo aluno com aprendizado adequado à sua série

A expectativa é que, até 2022, 70% ou mais dos alunos tenham aprendido o que é essencial para sua série. Esta meta apresenta uma realidade muito distante da expectativa estabelecida pelo Todos Pela Educação.

Segundo o relatório, apenas 34,2% dos alunos da 4ª série do ensino fundamental têm nível de aprendizado adequado à sua série na disciplina de Língua Portuguesa. Entre alunos da 8ª série, a situação é ainda mais grave. Apenas 26,3% dos estudantes sabem o que deveriam saber da matéria.

Meta 4 – Todo aluno com ensino médio concluído até os 19 anos

Espera-se, com esta meta, que 95% dos jovens brasileiros com 16 anos tenham concluído o ensino fundamental e 90% dos com 19 anos tenham completado o ensino médio. Esta meta, em tese, depende do resultado e do sucesso de todas as outras.

Em geral, os resultados nessa meta não foram bons no indicador sobre a conclusão do ensino fundamental. Apenas três estados conseguiram atingir a meta proposta para 2010. No dado brasileiro geral, estimava-se que o Brasil tivesse 68,4% dos jovens com 16 anos com ensino fundamental completo. Contudo, atingimos apenas 63,4%.

No indicador ‘conclusão do ensino médio até os 19 anos’, conseguimos um ligeiro avanço. A meta para 2010 era de 49,7% e atingimos 50,2.

Meta 5 – Investimento em educação ampliado e bem gerido

A proposta é que, até 2022, o investimento público em educação básica no Brasil seja de 5% ou mais do PIB. Atualmente não há um indicador que possa avaliar a gestão dos recursos da educação como um todo, mas é possível acompanhar a evolução do investimento público direto em educação básica do país como proporção do PIB (Produto Interno Bruto).

Desde 2000, o Brasil vem investindo cada vez mais na educação básica. Saímos dos 3,2% do PIB para 4,3. Se o crescimento continuar nesta escala, a meta deve ser atingida até 2022.

Grandes desafios a serem superados

Apesar dos recentes avanços, o que o relatório 2010 aponta é que nossas crianças e jovens ainda não têm seu direito a uma educação de qualidade assegurado. Segundo Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos Pela Educação, o retrato da educação brasileira ainda é preocupante. “Vivemos um ‘efeito funil’ na educação brasileira, com apenas 50% das crianças que entram na escola concluindo o ensino médio na idade adequada. É preciso olhar para o presente e enxergar que o futuro destas crianças está definitivamente comprometido.”

Segundo a diretora, é preciso provocar um processo acelerado da melhoria da qualidade da educação brasileira. Para tal, o movimento Todos Pela Educação está propondo cinco bandeiras que precisam do olhar mais aprofundado do poder público e da sociedade civil como um todo.

Conheça as 5 bandeiras:

1- Currículo: o País precisa ter um currículo nacional, com as expectativas de aprendizagem dos alunos por série/ciclo.
2- Valorização dos professores: o magistério deve ter uma formação adequada, com foco na aprendizagem dos alunos, além de contar com uma carreira mais atraente.
3- Fortalecimento do papel das avaliações: as provas aplicadas para medir a qualidade da educação devem orientar as políticas públicas e as práticas pedagógicas. Por isso, é necessário que elas forneçam informações aos professores e aos gestores sobre o que os alunos aprenderam e deixaram de aprender.
4- Responsabilização dos gestores: os gestores brasileiros devem ser apoiados, mas também responsabilizados pelo desempenho dos alunos.
5- Melhora das condições para a aprendizagem: o País deve ampliar a exposição dos alunos à aprendizagem por meio do cumprimento das quatro horas diárias obrigatórias e da ampliação do turno de ensino, com utilização do contraturno para reforço escolar e recuperação.

Por Rodrigo Bueno / Blog Educação

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