Estudo revela que 1,1 milhão de estudantes frequentavam escolas com jornada ampliada em 2008. Em 55,5% dessas escolas, o tempo escolar era igual ou superior a sete horas diárias.
“A educação vem de casa”, diz o antigo provérbio. Mas até que ponto essa afirmação permanece verdadeira? A julgar pelo que se observa cotidianamente, tem-se a impressão de que a sociedade brasileira moderna passou a acreditar que os professores têm a obrigação de ensinar tudo – e, também, de educar as crianças.
Com a promulgação da Emenda Constitucional 59, na sessão do Congresso Nacional nesta semana, a obrigatoriedade da educação no Brasil foi ampliada de 9 para 14 anos (ou seja, dos 4 aos 17 anos de idade). O Brasil, desta forma, consolida uma visão de que o direito de aprender é um direito essencial de todo cidadão e, especialmente, das crianças e adolescentes que estão nessa fase especial de desenvolvimento.
A sociedade brasileira finalmente despertou para a importância da Educação. No mundo de hoje, a Educação é fundamental para que as pessoas votem melhor, cuidem do ambiente e para que as firmas inovem e exportem mais.
Comentei em um artigo anterior sobre a mobilização que vem ocorrendo no país para a participação na Conferência Nacional de Educação (CONAE), que tem como tema central a construção de um Sistema Nacional de Educação. Vimos como o Brasil retardou a implantação de um sistema nacional articulado que pudesse dar conta de oferecer uma escolarização com qualidade para todas as pessoas, de forma indiscriminada e universal.
Segundo o Relatório de Competitividade Global 2009-2010, publicado pelo World Economic Forum, o Brasil melhorou em relação ao ano passado - subiu da 64ª para a 56ª posição, num total de 133 países estudados. A notícia é animadora. Mas é uma daquelas histórias do copo meio cheio ou meio vazio.
Leia entrevista com a professora Maria Stela Santos Graciani, coordenadora do Núcleo de Trabalhos Comunitários da PUC-SP e vice-coordenadora do curso de Pedagogia da instituição. Ela trata do tema da violência escolar e avalia a medida anunciada pelo governo de São Paulo de instalação de câmeras nas escolas.
Observatório da Educação: o que significa violência escolar, como podemos conceituá-la?
A obrigatoriedade do Ensino Médio está em pauta na agenda educacional brasileira. Para a professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Nora Krawczyk, especialista em política educacional, esse projeto e todos os processos educacionais precisam ser compreendidos a partir da dinâmica sócio-histórica.