O Brasil destacou-se negativamente no Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos 2010 divulgado nesta terça (19) pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em Nova Iorque. De acordo com o estudo, o País apresenta o maior índice de repetência na escola primária em relação aos demais países da América Latina e Caribe: 18,7%, enquanto a média na região é de 4,4%.
O Brasil também se sobressaiu no número de crianças fora da escola: eram 901 mil em 2007, com idades entre 7 e 10 anos, o que o coloca em 12º lugar nesse ranking. No mundo, 72 milhões de crianças não têm acesso à Educação.
Com isso, piorou o desempenho do País no Índice de Desenvolvimento Educacional (IDE) apresentado no relatório, calculado com base em indicadores da área. Se no estudo anterior (que tomava como base os dados de 2005) o País alcançou IDE 0,901 (numa escala de que vai de 0 a 1), no último (baseado nos dados de 2007), o indicador cai para 0,888. Com o resultado, o Brasil ocupa a 88ª posição em um ranking de 128 países, atrás de Paraguai, Equador e Bolívia. Ainda assim, situa-se no grupo de países intermediários em relação ao cumprimento de metas sobre acesso e qualidade de ensino, estabelecidas por cerca de 160 nações em 2000, no Senegal.
Dos quatro indicadores utilizados pela Unesco, o Brasil vai bem em três e tem resultados acima de 0,900 – o mínimo para ser considerado de alto desenvolvimento educacional. São bons os números de atendimento universal, analfabetismo e igualdade de acesso à escola entre meninos e meninas. Já quando se analisa o índice que calcula quantas crianças que entram na 1ª série do ensino fundamental concluem a 5ª série, o País cai para 0,756, um baixo IDE.
Segundo um dos analistas responsáveis pelo relatório, Nicole Bella, o Brasil perdeu pontos porque a matrícula caiu de 95,6% em 2005 para 93,5% em 2007 e a taxa de sobrevivência na 5ª série de 80,5% para 75,6% no mesmo período.
A Noruega lidera o ranking da Unesco. Ela e mais 60 países estão no grupo daqueles que já cumpriram ou estão perto de atingir todos os objetivos firmados no compromisso. Trinta e seis estão no grupo “intermediário” e 30 são classificados como tendo IDE baixo.
Para os autores do relatório, a comunidade internacional não está próxima de atingir a universalização do ensino fundamental até 2015. Para chegar a essas metas, seria necessário cobrir um déficit internacional estimado em US$16 bilhões por ano. Para a Unesco, um dos entraves é a desaceleração do crescimento econômico mundial.
O Ministério da Educação informou que ainda vai analisar o relatório, mas, inicialmente, considerou os números “estranhos” porque houve a ampliação do ensino fundamental para nove anos e queda na evasão.
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Fonte: Cenpec – Com informações da Folha Online, O Estado de S.Paulo e O Globo
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