Gabriele Costa Lírio, aluna da 5ª. série ou 6º ano do Ensino Fundamental, da Escola Municipal Deputado Afrásio Vieira Lima, e Thais dos Santos Maciel, aluna do 2º. ano do Ensino Médio, do Colégio Polivalente de Caravelas, foram as vencedoras do Concurso de Redação “Tempos de Escola”, em Caravelas, BA.
O Parceria Votorantim pela Educação, que promoveu o Concurso, parabeniza a escola municipal, cujo diretor é Wanderley Silva dos Santos, e a professora de Português, Rosangela Inácio Ribeiro, assim como o diretor do colégio, Luiz Leonardo Soares Ferreira, e a professora de Sociologia, Ana Maria Gouvêa de Oliveira, ambas orientaram as alunas vencedoras.
Conheça a seguir as redações de Gabriele e Thais.
Memória dos Tempos de Escola
Autora: Gabriele Costa Lírio
Tem alunos que ficam reclamando da escola de hoje, mas eles não sabem como antigamente era difícil. Antes, todos os alunos tinham que ir de uniforme; como não tinham canetas, usavam tinteiro; quem tivesse mais recursos ia de mochila e quem não tivesse prendia os livros com elásticos. Quando recebiam o certificado ajudavam a professora a dar aula para as crianças mais novas. Todos os alunos eram obrigados a desfilar no dia 07 de Setembro, quem não fosse perdia pontos.
Naquele tempo, ninguém escolhia sua religião, então a professora os levava para a igreja. Se estivessem com alguma doença, a professora não os deixava entrar para não passar para as outras pessoas. A escola era uma casa, sem divisão, e todas as crianças sentavam no chão. Quem morava na Barra de Caravelas estudava no próprio povoado. A professora era muito rígida. Mas era assim que eles aprendiam. Os pais tinham que ficar ensinando seus filhos em casa, para quando chegassem à escola não terem muitas dúvidas. Se perguntasse algo a ver com dever e o aluno não respondesse, a professora ia reclamar aos mesmos.
Naquela época, todos sofriam. Comparando a escola de hoje com a de tempos passados, a escola é muito melhor do que antes. Por isso, não faça desfeita do que você tem de melhor.
Tempos de Escola
Autora: Thais dos Santos Maciel
A escola muda com o passar dos anos, seus métodos de ensino, os alunos e os professores. O senhor Elias Siquara, um importante e querido morador da cidade de Caravelas, nos conta um pouco de como foi sua experiência na escola em uma época rígida em que a disciplina era indispensável.
“No meu tempo de escola comparado com os tempos de hoje, há uma grande diferença na forma de agir de todas as partes. Eu estudava no Grupo Agripiniano de Barros. Quando chegávamos à escola, ficávamos no corredor, cantávamos o hino escolar, rezávamos e depois começava mais um dia de aprendizado. Além das matérias fundamentais, aprendíamos também a fazer revistas, cartas, recibos, promissórias, a escrever com a mão esquerda e a melhorar nossa caligrafia. Terminando as aulas, cantávamos novamente o hino escolar e assim voltávamos para casa. Na parte da tarde, íamos para as tendas aprender alguma profissão; uns optavam pela alfaiataria, a aprender a cortar cabelo, a ser ferreiro, sapateiro ou cozinheiro. Nos sábados, era dia de recitar poesias, fazer exposições dos trabalhos manuais que fazíamos com madeiras e tecelagem. Desfilávamos em todos os feriados com roupas brancas, aprendíamos a cantar todo e qualquer tipo de hino e tínhamos um enorme respeito pela bandeira.
Eu fui da época em que se usava a palmatória. Quando os professores faziam a sabatina tínhamos que responder na hora sem pensar muito, caso contrário levávamos um “bolo” na palma da mão. Aquela época era de ditadura, apanhávamos para aprender e nossos pais davam total apoio, pois confiavam no método e trabalho dos professores que, por sinal, deu muito certo. Quando fazíamos algo de errado, ficávamos de castigo ajoelhados no milho e de braços abertos. Era um tempo em que éramos realmente preparados para enfrentar as coisas.
Lembro que quando fui fazer um exame de admissão, passei tranquilamente, pois naquela época os professores ensinavam o que precisávamos saber para chegar aonde queríamos. A professora era como uma segunda mãe e, como toda mãe, era rigorosa, mas sempre para nosso bem.
Em minha memória fica a saudade e a certeza de que tudo que sei e sou hoje foi graças aos dedicados professores que se empenhavam em dar o melhor ensinamento para nós. Hoje, vivo na escola da vida, a escola que não tem férias e o diploma é a morte.”
Assim como antigamente, devemos ter a consciência de que a escola tem um papel fundamental em nossas vidas, pois é de lá que vamos sair preparados para lutar por aquilo que queremos ser um dia. Respeitar os professores e nos dedicarmos aos estudos são os primeiros passos para nos tornarmos pessoas grandes no futuro.
Saiba mais sobre o Concurso Tempos de Escola. Leia aqui as outras redações vencedoras.
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