O Conselho Nacional de Educação aprovou, nesta terça-feira, dia 30 de junho, o projeto do Ensino Médio Inovador, proposto pelo Ministério da Educação (MEC).
“Esperamos que essa proposta seja acompanhada e avaliada e possa se tornar uma política universal”, disse a secretária de educação básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar Lacerda.
Entre as principais mudanças estão a ampliação da carga horária mínima dessa etapa de ensino, que passa de 2,4 mil para 3 mil horas, e a criação de um currículo flexível, no qual o aluno poderá escolher até 20% da grade curricular, distribuída em quatro eixos: trabalho, ciência, tecnologia e cultura. A proposta estimula ainda experiências com a participação social dos alunos e o desenvolvimento de atividades culturais, esportivas e de preparação para o mundo do trabalho.
A partir de 2010, cerca de cem escolas deverão receber financiamento do ministério para implantar mudanças curriculares capazes de melhorar a qualidade da educação oferecida nesse nível de ensino e ainda torná-lo mais atraente. “Já temos no orçamento entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões para ajudar os estados nessa mudança”, disse o ministro da Educação, Fernando Haddad.
Segundo o coordenador-geral do Ensino Médio da Secretaria de Educação Básica, Carlos Artexes Simões, “nos próximos 40 dias, o ministério definirá o volume de recursos disponível para o programa e a forma de financiamento, se diretamente à escola ou se por meio de convênio com as secretarias estaduais”.
Para Mozart Neves Ramos, presidente-executivo do Todos Pela Educação e vice-presidente da Câmara de Educação Básica, “a proposta é muito boa, pois propõe uma visão sistêmica e integrada dos conteúdos. Entretanto, sua eficácia dependerá de como ela será operacionalizada”.
O presidente-executivo do Todos Pela Educação acredita que as universidades devem estar articuladas às mudanças, sobretudo as licenciaturas. “É preciso repensar as licenciaturas, não é possível continuar formando professores da mesma forma como é feito hoje”. Segundo ele, o CNE deve propor nos próximos dias a criação de uma comissão para acompanhar a implementação das mudanças.
A atualização das diretrizes curriculares do Ensino Médio, de acordo com Carlos Artexes, deve ser um dos próximos passos do programa. Ele explica que já existe uma articulação entre a SEB e o CNE para discutir as mudanças.
“A atualização das diretrizes permitirá auxiliar os professores a trabalhar com as mudanças. O MEC vem demonstrando que o professor tem um papel de centralidade nas políticas públicas educacionais, não só com a criação do piso, do plano de carreira, mas principalmente com investimento em formação continuada”, afirma.
*Fonte: Todos pela Educação e Ministério da Educação
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