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04.02.2010

Imagem da região central da LaranjeirasO projeto Parceria Votorantim pela Educação começou a premiar os estudantes vencedores da primeira edição do Concurso Tempos de Escola. A iniciativa, realizada em parceria com o Ministério da Educação e o Canal Futura, recebeu 547 inscrições vindas de 13 estados e 26 municípios. Em Laranjeiras (SE) uma das vencedoras foi Crisciele dos Santos, 15 anos, aluna do 8º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Prefeito José Monteiro Sobral.

Segundo Tânia Cristina de Macedo Costa, coordenadora pedagógica da escola de Crisciele, “a estudante sempre apresentou um interesse natural por leitura e redação”. Foi Tânia quem mobilizou os alunos da escola para a participação no concurso. “Nossa comunidade é muito carente e o papel de nós educadores e das famílias é mostrar para nossas crianças e jovens que o estudo pode fazer a diferença na vida deles”. 

Em sua redação, Crisciele conta a história de dois personagens que traçaram caminhos diferentes na rota da educação: Jaison, um professor de geografia que, apesar das dificuldades financeiras, conseguiu se formar na universidade; e Dona Nice, uma mulher que foi obrigada a abandonar a escola, mas que faz de tudo para mostrar aos seus filhos a importância da educação.

A cerimônia de premiação aconteceu em Laranjeiras (SE) no auditório administrativo da CIMESA no último dia 27 de janeiro. A estudante recebeu como prêmio uma máquina fotográfica digital, além do certificado de participação no concurso. A escola de Crisciele também foi premiada com uma Maleta Democracia, com materiais pedagógicos do Canal Futura.

O tema da redação da primeira edição do Concurso Tempos de Escola foi ‘A memória dos tempos de escola de pessoas importantes para os alunos ou para sua comunidade’. Com esta proposta, a iniciativa buscou resgatar histórias exemplares de vida escolar dos pais, professores ou de pessoas da comunidade do estudante, destacando e provocando reflexões sobre a importância da vivência escolar em suas escolhas de vida.

A seleção final dos vencedores coube a uma Comissão Julgadora composta por representantes do Ministro da Educação, do Canal Futura do Instituto Votorantim e da revista Onda Jovem.

Confira a redação premiada no município de Laranjeiras

Dona Nice e Jailson, diferentes lembranças da escola

Torna-se difícil falar de um caso que terminou vitorioso sem falar de outro que ficou apenas no desejo de vitória, pois sabemos que a escola não consegue atender a todos. Sabemos que existem pessoas que são importantes para nós, não só pelos laços sanguíneos, mas, também, pelo seu exemplo e desejo de ser “alguém na vida”. Uma delas é a D. Nice, mulher guerreira, casada, mãe de três filhos.

D. Nice teve que encarar a vida muito cedo. Seu pai só queria saber de bebida alcoólica, abandonou a família e ela, sendo a mais velha, teve que começar a trabalhar para ajudar no sustento dos irmãos mais novos. Teve que abandonar a escola por conta de suas condições financeiras.

Não tinha como adquirir alguns materiais escolares. Suas melhores lembranças são, principalmente, o respeito que sentia por seus professores e as brincadeiras com seus colegas. Apesar de não ter estudado, hoje o que ela mais deseja é se empenhar para que seus filhos estudem e valorizem a escola. Sabe que o estudo pode mudar completamente a vida das pessoas, como mudou a história do hoje geógrafo, Jailson dos Santos.

Jailson - mais conhecido com Mussuca - tem 29 anos e formou-se em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe. Apesar de ter se formado recentemente, ele nos conta que não tem muitas lembranças do seu tempo de escola. O fato que ele considera mais marcante foi o de ter estudado na escola do povoado onde ainda reside, Povoado Mussuca, e de ter sido, recentemente, seu gestor (Diretor). Conta-nos que não parecia estar acontecendo com ele esse fato. Para o mesmo, não existem apenas lembranças boas. As ruins também reaparecem. As lembranças ruins são quando relembra de sua condição financeira na época em que era ainda um menino, até quando entrou para a Universidade.

Assim como a D. Nice, ele também pensou em desistir. Isso somente não aconteceu, porque teve apoio moral de sua mãe, irmãos e amigos. “Com todo esse apoio, consegui superar quase todas as dificuldades”, conta-nos Jailson. Diz, ainda, que as condições são mais favoráveis hoje para muitos jovens. A oferta de livros e material didático é maior e melhor, porém os professores perderam muito a autonomia, sem contar o processo de desvalorização contínua do trabalho do profissional em educação” - diz. Segundo Jailson, a educação é a melhor saída para um país que pretende se desenvolver. Diz, ainda, que “só com educação a sociedade saberá cobrar de seus governantes os investimentos para melhoria das condições de vida da população”.

Vimos através do relato de pessoas distintas, D. Nice e Jailson, que a escola pode dar caminhos um tanto quanto desiguais. Jailson conseguiu ter formação superior e hoje pode repassar seu exemplo de vida para seus alunos, que também enfrentam as dificuldades pelas quais ele passou. D. Nice, marisqueira, formou-se nessa escola chamada ‘vida’ e não se esquece de mostrar aos seus filhos que estudar ainda é o melhor caminho. Caminho esse que nos ajuda a seguir em frente, com dignidade.

Saiba mais sobre o Concurso Tempos de Escola.

Leia aqui as outras redações vencedoras.



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