A preocupação em garantir educação de boa qualidade aos filhos é uma questão presente em todas as classes sociais. Estudo realizada pelo Insper Instituto de Ensino e Pesquisa (Ex-Ibmec-SP) com base nos últimos dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) surpreendeu. “A pesquisa mostrou que as classes D e E consomem 10% de sua renda com a educação”, comenta o coordenador do Centro de Políticas Públicas da instituição e coordenador do estudo, Naércio Menezes.
Segundo o especialista, o dado demonstra que no Brasil a educação é prioridade para as famílias, independentemente da renda. A classe A investe cerca de 5% de seus rendimentos na formação dos filhos, enquanto a classe B consome 8% e a classe C 7%.
Outro dado interessante foi revelado pela Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (Pnad, divulgado no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo apontou que a taxa de fecundidade por mulher, despencou para a menor da história, sendo 1,89 filho. O motivo é a maior preocupação em manter o conforto da família, evitando cortes no orçamento.
A psicóloga Renata da Mata Costa diz que conseguir manter o investimento da família na educação do filho, Gustavo, é a maior preocupação. A escola e os gastos com aulas extras de língua e esporte consomem R$ 1,2 mil ao mês. “A escola é a despesa mais pesada que temos, mas é de extrema importância. Preferimos cortar em outros gastos a cortar na educação.” Segunda ela, quando o assunto é custos, a mensalidade escolar é o que mais pesa na decisão de ter o segundo filho.
Planejamento
O crescimento da renda apresentou ao brasileiro uma possibilidade que antes não fazia parte da rotina doméstica: planejar os gastos a longo prazo. Para fazer uma conta que começa hoje e deve ser fechada em 18 anos, os pais não devem se intimidar com pequenos números. O professor de finanças do Ibmec-BH, Eduardo Coutinho, aponta que uma poupança de R$ 50 ao mês, rendendo meio ponto acima da inflação (índice da caderneta), em 116 meses corresponderá a R$ 19.367. Nas mesmas condições, se o valor poupado for de R$ 100, ao final de 18 anos, o estudante terá R$ 38,7 mil. “Esse valor suporta uma mensalidade de R$ 909 por 48 meses”, garante o especialista.
A conta estimada pelo especialista, o engenheiro Renato Poli tem na ponta da língua. Pai de dois meninos de 6 e 4 anos, ele diz que do maternal à faculdade vai gastar R$ 100 mil com cada. “Minha intenção é que eles cursem uma faculdade pública.” Caso o projeto não dê certo, Renato calcula um gasto extra de R$ 50 mil, com cada um dos filhos. A ideia do engenheiro é resultado de uma política invertida do governo brasileiro. “Nenhum país tem uma disparidade tão grande entre os investimentos no ensino fundamental e no ensino superior”, aponta Menezes.
Segundo o especialista, enquanto investe cerca de R$ 2,2 mil por aluno, por ano na educação básica e R$ 1,5 mil ao ano no ensino médio, o país paga por aluno no curso superior cerca de R$ 12 mil ao ano. “Essa é uma lógica que privilegia aqueles com maior renda.”
Fonte: Estado de Minas | por Marinella Castro
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