Até 2016, o ensino dos 4 aos 17 anos de idade, ou seja, da educação infantil ao ensino médio, será obrigatório no Brasil, conforme a Emenda Constitucional nº 59, promulgada pelo Congresso Nacional em 11 de novembro de 2009 (“educação básica obrigatória e gratuita dos quatro aos dezessete anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria”).
Recentemente, a análise dos Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2007) indicava que dois em cada dez jovens brasileiros de 15 a 17 anos estavam fora da escola. Esta chamada “crise do ensino médio” tem assombrado a educação brasileira e colocado em risco o próprio desenvolvimento do país.
Segundo Wanda Engel, superintendente-executiva do Instituto Unibanco, os dados relativos ao Ensino Médio são críticos. “Na faixa dos 17 aos 24 anos a situação é extremamente preocupante. Cerca de 70% não freqüentam a escola e só 13% estão no Ensino Superior”, destaca. E o impacto disso no mercado de trabalho é direto. O nível de desemprego entre os jovens – que é três vezes maior que nas outras faixas etárias – existe por falta de qualificação e não por falta de vagas.
A deficiência do atendimento no Ensino Médio contribui para outro dado preocupante: a média de escolaridade da juventude brasileira é de 9,1 anos, o que equivale, apenas, ao tempo de permanência no Ensino Fundamental. O Chile, por exemplo, tinha essa média de escolaridade há 28 anos. Hoje, os jovens chilenos permanecem na escola aproximadamente 12,5 anos. O diretor de Concepções e Orientações Curriculares para a Educação Básica do MEC, Carlos Artexes, reconhece que há uma necessidade de mudança urgente na proposta pedagógica para essa etapa. Segundo Artexes “atualmente o Ensino Médio não dialoga com os interesses desse jovem”.
O especialista do MEC avalia que os jovens têm um desinteresse em frequentar a escola e abandonam as instituições, no momento em que têm autonomia para tomarem esta decisão. “Isso cria a exigência de uma nova escola. Precisamos ouvir esses jovens, respeitar sua cultura e entender o que está em seus corações. Eles têm um projeto de vida e precisamos dialogar para saber lidar com isso.” Para o presidente-executivo do Todos Pela Educação, Mozart Neves Ramos, “o jovem quer uma escola que caiba em sua vida, mas na prática não encontra isso”.
Dos 3,6 milhões de jovens que se matriculam na 1ª série do Ensino Médio, apenas 1,8 milhão consegue concluir esta etapa da Educação, e uma parcela ainda menor, 1,3 milhão, ingressa no Ensino Superior.
Saiba mais
O tema “A crise de audiência do Ensino Médio” marcou os debates do encontro realizado pelo movimento Todos Pela Educação no último dia 16 de junho, realizado em parceria com o Instituto Unibanco. Acesse as apresentações utilizadas no evento:
http://www.todospelaeducacao.org.br/Comunicacao.aspx?action=2&aID=422
Com informações do movimento Todos Pela Educação, jornal O Estado de São Paulo, jornal Valor Econômico, Cenpec e jornal O Estado de Minas
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Tags: Ensino Médio, todos pela educação

