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Geração atual de jovens tem escolaridade superior a de seus pais

11 de fevereiro de 2011

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Igor e Rhaíssa são jovens com anseios e conflitos típicos da adolescência. Igor é carioca, tem 18 anos, toca numa banda de pagode e, nas horas vagas, gosta de ficar na internet ou vendo televisão em casa. Rhaíssa tem 16 anos, mora em São Paulo, é viciada em internet e adora sair com os amigos. O que ambos têm em comum? Os dois querem cursar o ensino superior – e deverão, desta forma, passar seus pais em grau de escolaridade.

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Este é o retrato do novo Brasil. Hoje, quase 70% dos jovens da classe C já passaram a ter um nível escolar mais alto que o familiar. Os dados são de uma pesquisa da Data Popular, que considerou números da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), levantados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os dados mostram que o perfil de educação e emprego mudou em famílias emergentes.

O ciclo de desenvolvimento que envolveu o Brasil na última década abriu caminhos inéditos para uma classe social que, antes, vivia às margens das ambições socioculturais. Esse movimento impactou o mercado, já que os hábitos de consumo mudaram e transformou também aspectos educacionais e culturais.

Um dos retratos mais representativos desta mudança é a nova juventude brasileira. O jovem tem estudado mais do que os que viviam nas grandes capitais há 30 anos. Os adolescentes – em especial os da classe C – têm, aos poucos, entendido que o diploma do ensino médio é um passaporte para uma boa posição no mercado de trabalho. E os pais, que muitas vezes tiveram que abandonar os estudos para trabalhar, investem suas fichas na educação dos filhos para dar a eles uma melhor expectativa de futuro.

Este é o caso de Rhaíssa Freitas. A adolescente paulistana já sabe o que pretende fazer quando terminar o ensino médio: quer cursar a faculdade de psicologia. “Acho que estudar é muito importante para crescermos na vida. É base para o sucesso. Por isso, quero fazer vestibular e, no futuro, trabalhar como psicóloga na área criminal”, explica, de forma decidida.

Os pais de Rhaíssa não tiveram a mesma oportunidade. Ambos precisaram parar os estudos no ensino médio para começar uma profissão – a mãe da adolescente trabalha na linha de produção de uma fábrica de dermocosméticos e o pai é vendedor em uma loja de eletrodomésticos.

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É considerada uma pessoa da Classe C aquela que faz parte de uma família com renda domiciliar entre R$1.115,00 e R$ 4.807,00 (Fonte: FGV). A pesquisa “A nova Classe Média” aponta que o número de famílias da classe C subiu de 42,26% para 51,89% entre 2004 e 2008.

Segundo a jovem, os pais e a avó são muito rígidos quando o assunto é escola. “Sempre tirei boas notas, acima de sete. Se não for bem nos estudos, eles chamam minha atenção”, conta. Questionada se dá muito trabalho ser uma boa aluna, Rhaíssa diz que não e que leva uma vida normal. Adora sair com os amigos e é muito antenada em redes sociais – tem dois perfis no Orkut, conta no MySpace, no Twitter, no Flickr e no Formspring.

Ter uma vida tranquila, com conforto e que traga realizações profissionais parece mesmo ser uma preocupação do jovem atual. Igor Pitta, de 18 anos, mora no bairro de Madureira no Rio de Janeiro e já tem planos para o futuro. “Acabei o ensino médio e agora estou pensando em fazer um curso técnico na área petroleira. Além disso, quero cursar direito na universidade.”

As conquistas do jovem, em termos de escolaridade, devem superar a dos pais, que não puderam cursar o ensino superior. Ele é mais um representante dessa geração retratada na pesquisa sobre o nível de escolaridade da juventude brasileira.

Ainda segundo a pesquisa, a maior escolaridade dos jovens deve mudar os tipos de trabalho procurados no mercado. Entre os pais pesquisados, as profissões mais populares são: profissionais domésticos, vendedores de lojas ou mercados, trabalhadores da construção civil, cozinheiros e zeladores. Já, entre os jovens, as profissões mais procuradas são vendedores, auxiliares administrativos, operadores de telemarketing, caixas e recepcionistas.

Apoio da família faz a diferença

A participação da família na vida escolar dos jovens parece ser fator determinante. Pais que entendem o valor da educação tendem a incentivar os filhos a prosseguir nos estudos. Esse é o caso de Ivoneide Rocha, empregada doméstica, mãe do adolescente Júlio Cesar, de 15 anos. O marido, que trabalha como segurança, também é entusiasta da educação do filho.

“Estudar é muito importante para o futuro dos jovens. Quero proporcionar para o meu filho as coisas que eu não tive na vida”, comenta Ivoneide. O adolescente acaba de entrar no ensino médio e já dá sinais de que deseja atuar no ramo da informática.

O jovem passa horas no computador e ajuda vizinhos na instalação e correção de pequenos problemas em computadores. “Ele já quer entrar em algum programa de aprendizagem neste ano”, explica a mãe. “Dessa forma, ele conseguirá trabalhar sem ter que largar os estudos.”

Saiba mais

>> Leia o suplemento com a pesquisa do Instituto Data Popular

>> Confira a pesquisa “A Nova Classe Média”, do economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas

Por Rodrigo Bueno / Blog Educação

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