O Parceria Votorantim pela Educação – PVE realizou, nos dias 13 e 14 de fevereiro, em São Paulo (SP), a primeira Oficina de Formação de Mobilizadores do ano, que reuniu os mobilizadores e consultores dos 35 municípios em que o projeto atua. O evento marcou o início das atividades do PVE em 2012, servindo para nortear e dar suporte a seus participantes com relação ao planejamento e metas a serem construídos, com vistas a qualificação da educação nos municípios.
“Vi a oportunidade de ser mobilizadora como um presente para mim e para minha comunidade. Foi uma possibilidade de contato com o poder público para articular melhorias para as escolas”, contou a mobilizadora Gabriela Hott, do município de Vazante, em Minas Gerais. “Deu certo porque acreditamos e abraçamos a causa. Já conseguimos nos aproximar de 10 escolas públicas”, disse.
Ela contou ainda que, no ano passado, procurou formadores de opinião do município, como líderes religiosos e jornalistas, e os convidou a colocar em pauta o tema educação e o projeto da Votorantim. “Assim aproximamos os diretores escolares, o que foi muito importante para o desenvolvimento do projeto na cidade”.
Participante do PVE desde o início de suas atividades, o mobilizador Reges Echer, do Rio Grande do Sul, usou a mesma estratégia para sensibilizar a comunidade. “Comecei identificando as lideranças locais. Quem é o prefessor que se destaca? Ele trabalha na igreja? Quem é o técnico do time de futebol? Assim, comecei a envolver mais as instituições locais, o que empoderou o projeto. As pessoas entenderam que os mobilizadores fazem parte da empresa e da sociedade ao mesmo tempo”, explicou.
Echer atua em dois municípios gaúchos, Arroio Grande e Capão do Leão, uma região que ele classifica como carente de recursos e de ações de fortalecimento. “Arroio Grande, por exemplo, vivia isolada e não participava de nenhuma iniciativa desenvolvida pelos outros municípios da região. Tivemos muito trabalho para engajar a sociedade em prol da educação, mas percebemos, de 2008 para cá, um grande crescimento”, avaliou.
Tempos de escola
Os mobilizadores foram apresentados à edição de 2012 do Concurso Tempos de Escola, que destaca as melhores redações dos municípios participantes do PVE, escritas com base em temas da educação. Esse ano, as inscrições vão de 1º de março a 20 de maio.
As redações poderão concorrer em três categorias: uma para alunos do primeiro ao quinto ano, com o tema “Minha escola, meu sonho”; outra para crianças do sexto ao nono ano, que devem escrever sobre a pauta “A escola valorizando sonhos”; e a última voltada a estudantes do ensino médio, com o tema “A escola na construção do meu sonho”.
Os mobilizadores devem incentivar a participação de escolas e alunos. “O concurso é uma estratégia para sensibilizar os alunos quanto ao valor da educação. O objetivo não é o número de inscritos, mas o processo de mobilização”, destacou Mariana Franco, coordenadora dos programas de Educação, Trabalho e Via, do Instituto Votorantim.
Mobilização como política pública
A mobilização social foi destacada no evento, pela assessora especial de Mobilização Social pela Educação do MEC, Linda Goulart, como responsável pela manutenção de políticas públicas para qualificar a educação. “O que sustenta e mantém as políticas públicas é a mobilização social, realizada em igrejas, centros culturais e outros pontos de encontro da sociedade civil”, afirmou Linda durante o evento. “A escola é do público e da comunidade. Mas, em geral, as pessoas não costumam ir até ela para entender qual o plano pedagógico. E este é o tipo de mobilização que fortalece as políticas públicas”, disse.
Ela lembrou que, a partir de 2017, a permanência na escola se torna obrigatória entre os 4 e os 17 anos e que a população deve participar para fazer valer lei. “As pessoas agora têm o direito de exigir vagas. Temos que trabalhar para dar aos brasileiros o direito de aprender. E se o jovem não quiser seguir nos estudos depois do ensino médio, isso deve ser uma opção dele e não resultado da falta de oportunidade”, concluiu.
Maura Barbosa, coordenadora pedagógica da Comunidade Educativa – CEDAC, concorda. “A sociedade tem que dizer ao prefeito o que espera da educação no município e tem que dar à escola referências do que ela pode oportunizar”. Para ela, a responsabilidade pela qualidade da educação começa em casa. “Os pais precisam, por exemplo, perguntar aos filhos se eles fizeram a tarefa de casa. Esse é um processo pedagógico no qual a criança entende que há alguém olhando para ela. Os mobilizadores do projeto devem incentivar os pais para que estes participem da vida escolar de seus filhos, assim como o restante da comunidade”, afirmou Barbosa.
Para a diretora do Instituto Votorantim, Celia Picon, que abriu as atividades da Oficina, um dos principais fatores para que o desenvolvimento da educação aconteça é a mudança de comportamento. “A pessoa precisa entender a importância da educação, ver que faz sentido, para agir nessa direção. Trata-se de uma mudança de comportamento. A sociedade entende que a escola é a responsável pela educação, no entanto a educação é responsabilidade de todos. Nesse sentido, o trabalho de gabinete é bom, mas quem faz acontecer está nas pontas”, explicou Picon.
Sarah Fernandes / Blog Educação
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25 de fevereiro de 2012 às 8:23
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